O Dia em que o Parque Fluvial da Rede se Dividiu Entre a Lama e o Brio
O verão está mesmo à porta, os dias de calor já convidam ao convívio e o Parque Fluvial da Rede devia ser aquele sítio estratégico onde todos temos orgulho em ir. Mais do que um local para dar mergulhos, aquele espaço tem tudo para ser um ponto de encontro, um motor que atrai visitantes a Mesão Frio e que oferece uma experiência de qualidade a quem nos escolhe para passar uns dias de descanso ou de férias. Isto porque, se queremos que todas essas pessoas prolonguem os seus dias de estadia na nossa terra, temos obrigatoriamente de alavancar espaços e iniciativas que sirvam de suporte a esse turismo. Mas a verdade é que quem lá passa bate de frente com um contraste que choca qualquer um.
De um lado, vemos a coragem e o brio de quem mete o seu próprio dinheiro a mexer, do outro, vemos o desleixo e o abandono de quem tem a obrigação de cuidar do que é de todos.



As fotografias não mentem e qualquer pessoa percebe isto à primeira vista. Por um lado, temos o exemplo espetacular do investidor privado naquele espaço . É mesmo de tirar o chapéu à força de quem reconheceu potencial para investir ali. Ainda este ano, o rio subiu, galgou as margens e destruiu tudo o que eles tinham construído. Muita gente tinha desanimado e cruzado os braços, mas esta equipa não. Limparam a lama, levantaram a cabeça e meteram as mãos à obra para abrir a tempo da época balnear. O resultado está à vista: se aquilo já era bom, agora ficou absolutamente brutal. É um espaço bonito, bem aproveitado e que dá gosto ver. É isto que valoriza a nossa região e ajuda a fixar os turistas em Mesão Frio.
Só que basta dar dois passos para o lado e o cenário muda por completo. O espaço público ali mesmo ao lado, que devia estar arranjado pelas entidades públicas, está num estado de abandono total. É erva alta, falta de limpeza e uma imagem de puro desmazelo. Enquanto os privados limparam e se refizeram dos estragos das cheias em tempo recorde, o poder público arrasta-se e não aparece.
Não estão fartos de ouvir conversa de que havia “mundos e fundos” e grandes planos para aquele bocado do parque fluvial da rede? A época balnear já arrancou e a publicidade esbarra na realidade da erva por cortar. Passam os meses, prometem muito, mas naquele espaço, a parte não concessionária, não se vê um único trabalho feito. O espaço público continua entregue ao bicho.
Dá para perceber perfeitamente por que é que as pessoas comentam que as obras por cá só andam quando há eleições. Fica aquela certeza amarga de que, se este ano houvesse votos, o Parque Fluvial da Rede já estaria limpo, pintado e com direito a festa de inauguração. Governar só a pensar no dia das eleições e não no dia a dia das populações é um erro que custa caro ao nosso desenvolvimento.
Mais do que falta de planeamento, isto acaba por ser uma falta de respeito por quem arrisca. Como é que podemos pedir aos empresários para investirem cá, para criarem postos de trabalho e darem vida à terra, se depois quem governa não faz o mínimo indispensável?
O prémio para quem limpou a lama e reergueu ali o seu negócio não pode ser este deserto e abandono à volta do mesmo. Apoiar quem mexe com a economia devia ser a prioridade número um, não um ato de desprezo.
O tempo das desculpas esfarrapadas e da conversa fiada já lá vai. O Parque Fluvial da Rede não pode continuar refém de promessas de papel que depois só dão em mato e abandono.
Se não têm energia nem competência para manter um espaço público limpo e com dignidade, assumam o falhanço de uma vez por todas.
A paciência para esta moleza política esgotou-se. Enquanto os privados dão lições de eficácia e mostram como se trabalha, o executivo arrasta-se numa preguiça que confrange. Ao olharmos para este exemplo na Rede, os responsáveis autárquicos deviam ter vergonha do desleixo que ali mantêm.