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Porque não há rali em Mesão Frio?

A pergunta tem sido repetida nas ruas, nos cafés e nas conversas do dia a dia: porque não há rali em Mesão Frio? A resposta oficial surgiu com rapidez e aparente simplicidade: o mau tempo e o estado das estradas. É uma explicação que, à primeira vista, faz sentido. Todos vimos os efeitos das intempéries. Todos percebemos que a segurança é um fator essencial. Mas, quando se olha com mais atenção, a explicação começa a revelar fragilidades. E na política, quando as explicações não resistem aos factos, o problema raramente está na pergunta.

Há um dado objetivo que não pode ser ignorado: a 13 de janeiro, o rali já não constava da Agenda Cultural do Município. Este facto, sendo público e verificável, introduz uma dúvida legítima no debate. Se o evento já não estava previsto nessa data, então a decisão de não o realizar poderá ter sido tomada muito antes das condições meteorológicas de março. Perante isto, a questão deixa de ser “o que aconteceu em março?” e passa a ser outra: “o que levou à decisão em janeiro?”.

Não se trata de especular. Trata-se de exigir coerência entre os factos e as explicações. E quando essa coerência falha, é natural que surjam dúvidas. O problema, no entanto, não é apenas o rali. O rali é, no fundo, um ponto de entrada para uma discussão mais ampla: a forma como o concelho está a ser gerido e as prioridades que estão a ser definidas.

Os dados financeiros conhecidos ajudam a enquadrar este momento.O Município apresenta um resultado líquido negativo na ordem dos 1,35 milhões de euros, uma dívida acumulada próxima dos 1,3 milhões, referentes ao exercício financeiro de 2025, e uma disponibilidade de tesouraria que, em março de 2026, rondava os 38 mil euros. Acresce a isto um rácio de endividamento que se encontra acima do limite legal. Estes números não são detalhes técnicos; são indicadores claros de pressão financeira. E quando existe pressão financeira, todas as decisões passam a ter um peso diferente.

Mas é precisamente em contextos exigentes que a questão das prioridades ganha importância. No mesmo período em que se invocam dificuldades para justificar o cancelamento de um evento com impacto no território, foram realizadas despesas em iniciativas festivas com custos que hipotecam o futuro. Por exemplo: foram gastos 6 mil euros por hora na Festa Branca de 2025. Sim, leram bem: por cada hora de festa, consumiram-se cerca de 6 mil euros. A questão não está na existência destas iniciativas, mas na coerência do conjunto. Que critérios orientaram estas decisões quando a habitação continua a ser uma miragem?

Na área da habitação, a dimensão do problema é séria. Em Vila Marim, o terreno municipal continua em “modo selva”, sem desenvolvimento há 20 anos. Em Mesão Frio (Santo André), prometeram-se casas em terrenos que nunca foram adquiridos. Em Barqueiros, as referências a habitações em concurso público surgem envoltas em silêncio informativo. E, no meio disto tudo, há famílias que foram usadas em campanha eleitoral com visitas técnicas teatrais e que continuam a aguardar pela dignidade de um teto.

Para além dos dados, existe a perceção das pessoas. Multiplicam-se os relatos de dificuldades no funcionamento de serviços básicos. Quando chegam informações de que autocarros e carrinhas municipais circulam com os depósitos vazios, sendo abastecidos “à ração”, algo está profundamente errado. São relatos da experiência concreta das pessoas com o dia a dia do concelho.

Voltamos, então, ao ponto de partida. Porque não há rali em Mesão Frio? Reduzir uma decisão desta dimensão ao mau tempo não é suficiente quando existe uma cronologia que levanta dúvidas e um contexto financeiro que sugere outras condicionantes. A política local precisa de menos simplificação e mais clareza. As pessoas não exigem perfeição, exigem verdade.

O cancelamento do rali pode parecer um tema menor, mas não é. Está em causa a forma como se decide, como se comunica e como se respeita a inteligência de quem aqui vive. E isso, num concelho como o nosso, faz toda a diferença. Enquanto não houver uma resposta que resista aos factos, a pergunta continuará a ecoar: porque não há rali em Mesão Frio?

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2 Comments

  1. O mau tempo não tem nada a ver com o cancelamento do Raly. A câmara está falida. Sei que o Rally fica por 60 mil euros a câmara. Mais se uma festa branca custa por hora 6 mil euros. Pergunto eu. O grupo e a Dj foi assim tão caro? Uma festa Branca pelo Grupo que esteve tunha que ser barato. Outros eventos como os jogos sem fronteira que este ano não vai haver. Ja li algures. Também não fica caro. Caro fica a feira de pestisco. Pelo o valor que ouço é muito dinheiro. Façam mais pequeno e na Aveninda. Tragam para cima. O Santo Andre foi muito fraco. Se vamos falar em gastos, a feira medieval é sempre a mesma coisa e agora levaram para cima. Sendo os mesmos atores o valor deve aumentar um pouco cada ano. Mas devem levar mais que seis mil horas. As bracas são caras. Se são alugadas fica mesmo caro. Pode-se fazer festas, mas em tamanho pequeno. E mais barato. Quanto a rally se não houver mais, para mim não faz diferença. Fica mal numa vila e arredores. Maiso rally não trás mais valia a vila. Se vamos ver é aos Domingos que os poucos restaurantes estão fechados. O comércio também. O pessoal dos carros trazem a marmita e os restantes comem todos juntos. Comércio não beneficia nada. Tirando na Vila Três cafés ganham mais nesse fim de semana. Se as estradas são o motivo do não rally, não foi o mau tempo que distruiu tudo. Além de mais as estradas foram arremendas e depois disso não chouveu muito e só há buracos. Chamo a isso mau trabalho da câmara que não souberam por tapete. E principalmente em Vila Marim e Cidadelhe precisam de tapete novos e não de arremendos. Passado um mês é só buracos. Como se diz: O grande manda chuva do concelho são os Tapas Buracos. Mas o buraco financeiro cada vez é maior. Tem pessoas a mais e são eles que escolhe para ondem querem ir. Grande câmara

  2. Credo! O nosso Mesão Frio está entregue a umgoverno desgovernado irresponsável e libertina!
    Não podemos deixar que isto aconteça mais!

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