O RECREIO ACABOU!
Durante dias, assistimos ao mesmo guião: choradinho nas redes sociais, lamentos na imprensa e discursos feitos à medida da claque. Culpa-se a orografia, culpa-se o orçamento, culpa-se a chuva. Tudo serve, menos assumir responsabilidades.
Mas a tempestade que assolou Mesão Frio trouxe mais do que água e lama. Trouxe a nu a falência total da gestão do executivo socialista da Câmara Municipal de Mesão Frio. A chuva lavou a maquilhagem da propaganda e revelou aquilo que já era evidente para muitos: incompetência, atraso e negligência.
Para quem ainda acredita na narrativa do “coitadinho”, importa olhar para os factos, esses, teimosos, que destroem qualquer desculpa.
Enquanto o Sr. Presidente da Câmara de Mesão Frio corria para os jornais a repetir que “não há dinheiro”, o autarca de Santa Marta de Penaguião agia como um adulto responsável: cancelou festas, cortou na despesa e colocou 1 milhão de euros em cima da mesa, em 24 horas, para acudir às populações afetadas.
Em Mesão Frio, o dinheiro existe para a festa, mas desaparece quando chega a emergência. Isto não é falta de meios. É falta de prioridades. E quem não sabe definir prioridades, não serve para liderar.
Os formulários de apoio do Governo estão disponíveis na CCDR-N desde 29 de Janeiro. Ainda assim, a Câmara Municipal de Mesão Frio só reuniu a Comissão Municipal de Proteção Civil a 3 de Fevereiro, que tenhamos conhecimento.
Passaram-se dias.
Dias em que muros ruíram, vinhas foram arrastadas e vidas ficaram suspensas, enquanto o Executivo estava a “analisar”. E como se isto não bastasse, surge o cúmulo da vergonha: a exigência de “marcação prévia” para atendimento.
Quem tem a vida destruída não marca vaga na agenda. Numa situação destas, a Câmara tem de ter a porta aberta hoje, com técnicos no terreno agora.
Importa, contudo, fazer uma distinção clara e justa: nada do que aqui se escreve pode, nem deve, ser imputado aos técnicos da autarquia, que têm sido incansáveis, nem aos presidentes e executivos das juntas de freguesia, que, com meios escassos, têm sido inexcedíveis no apoio às populações. O problema não está em quem trabalha, está em quem decide!
O Sr. Presidente afirmou que “um muro que cai inviabiliza uma vida”. É verdade.
Mas então que tenha a coragem de ir a Oliveira, à Quinta das Torres, e assumir responsabilidades.
Ali, os muros não caíram por azar. Caíram porque, há anos, a Câmara permite que águas pluviais e saneamento desaguem diretamente para dentro de propriedade privada. Quando a autarquia e a AdIN, empresa da qual o Município de Mesão Frio é sócio, canalizam esgotos para cima das vinhas, o culpado não é São Pedro. É negligência camarária.
Convém também desmontar a mentira do “abandono”. O Governo garante apoios a 100% a fundo perdido para prejuízos até 10.000 euros. O dinheiro existe. O que falta é uma Câmara que funcione. O único muro que falta derrubar é o muro da burocracia, que impede técnicos de estarem no terreno a ajudar os nossos idosos e agricultores a preencher os formulários a que têm direito.
E chegamos à maior vergonha de todas.
Lamenta, nos jornais, “centenas de milhares de euros” de prejuízo causados pela chuva. Mas é este mesmo Executivo que tem o maior envelope financeiro da história de Mesão Frio, 5,1 milhões de euros do PRR, pendurado por um fio, para não afirmar com certeza que já terão voado, mas saberemos disso em breve.
Mais de cinco milhões de euros para Habitação, em risco de se perderem (ou já perdidos) por incapacidade de execução, atrasos sucessivos e falta de liderança.
Quem deixa escapar 5,1 milhões de euros por pura incompetência não tem moral para dizer aos mesão-frienses que “o orçamento é curto” para limpar lama.
Em Mesão Frio, o recreio acabou.
Quem não tem unhas para gerir milhões do PRR também não tem mãos para acudir a uma tempestade.
O concelho exige ação.
Não exige lamentação.
A esta situação eu já escrevi numa publicação do municipio. E a uma pessoa que se acha-se muito importante e que disse que mais uma vez a distritos de Vila Real ficou de fora. Eu disse directamente para pediram ajuda a câmara. Já que eles ganharam as eleições não sei como, nós como opositores temos que falar tudo. Eu não tenho medo. Além de mais o actual presidente não capacidades para o cargo que ocupa. É muito fraco. E entrou a política que não se pode falar, porque eles não querem ouvir as verdades. Mais uma ditadura no concelho. Aconteceu com o Professor Alberto e acontece com este também. Além de mais depois é mal educado.
A única coisa que sei é que os problemas têm já anos suficientes para se fazer a mudança necessária. E não se faz.