Mesão Frio: Os Arquitetos da Dívida
É incontornável falar, com total frontalidade, do processo de Saneamento Financeiro que se seguiu às eleições autárquicas de 2009 e do estrangulamento financeiro que durante anos paralisou a nossa autarquia. A bem da verdade, este fenómeno não se restringiu a Mesão Frio, repetindo-se em centenas de municípios por todo o país. Tentou-se, de forma simplista e politicamente conveniente, empurrar toda a responsabilidade para uma única sigla partidária. Mas os factos têm autores: as dificuldades financeiras de Mesão Frio tiveram responsáveis concretos, mentores, conselheiros e decisores políticos bem identificados. Muitos desses protagonistas continuam hoje a circular nos corredores do poder local, influenciando decisões e condicionando o futuro do concelho.
A continuidade do passado
Quando se observa quem hoje rodeia o Executivo, quem aconselha, influencia e decide, torna-se evidente que não estamos perante uma verdadeira rutura com o passado. Alguns dos protagonistas centrais dessa gestão afastaram-se no momento oportuno, outros reciclaram-se politicamente. Hoje, surgem sob uma nova bandeira, mas transportam consigo a mesma matriz de pensamento, os mesmos métodos e a mesma incapacidade de aprender com os erros cometidos.
Os números não mentem
Essa continuidade não é apenas conceptual, é mensurável. Em 2021, Mesão Frio regressou a uma lógica de recurso ao endividamento bancário para sustentar investimento e apresenta, em 2025, uma execução orçamental de apenas 79%, revelando um planeamento frágil e uma governação feita à vista. Estes números são o reflexo direto de opções políticas repetidas ao longo do tempo. Quando as pessoas não mudam, os resultados também não mudam.
Rutura necessária
Mesão Frio não pode continuar prisioneiro de uma memória curta nem aceitar que os mesmos protagonistas, responsáveis por ciclos de descontrolo financeiro, se apresentem agora como os arquitectos do futuro. Na realidade, são os arquitectos da dívida, ontem como hoje. O rigor não se improvisa, nem se aprende com quem deixou marcas profundas de irresponsabilidade na gestão pública. O concelho exige uma rutura real, não de cosmética política, assente em responsabilidade, planeamento sério e numa mudança efetiva de pessoas, de práticas e de cultura política. Só assim será possível construir um futuro sustentável, credível e digno da confiança dos mesão-frienses.
Como vamos mudar se as pessoas quiseram o mesmo e executivo. Mesão Frio não vai mais a lado nenhum. É pena, mas é a verdade.