As tomadas de posse dos órgãos autárquicos são momentos solenes, que devem dignificar a democracia e valorizar a participação popular. Ao longo dos anos, foram sendo adaptadas aos espaços disponíveis no concelho.
Até 2005, realizavam-se no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Era o que existia. Limitado, pequeno, mas ainda assim servia para cumprir a formalidade, mesmo que com pouca abertura à população.
Em 2009, já com o Auditório Municipal construído, a cerimónia passou a ser aí realizada. Foi um avanço natural, dada a maior capacidade do espaço. O Multiusos ainda não existia.
Com a construção do Multiusos Municipal, a partir de 2013, todas as tomadas de posse passaram para esse espaço. E porquê? Porque um ato que é de todos, que marca o início de mandatos e a escolha democrática da população, merece dignidade. O Multiusos é amplo, permite que famílias, apoiantes, cidadãos em geral participem sem limitações. É um momento que deve ser vivido de forma comunitária, transparente e inclusiva.
Este ano, porém, o Partido Socialista de Mesão Frio decidiu inverter a lógica. A tomada de posse vai voltar a ser encolhida para o Auditório Municipal, um espaço manifestamente limitado. A razão é simples: no mesmo dia, o PS quis reservar o Multiusos para o seu “jantar da vitória”.
Nada temos contra jantares partidários. Fazem parte da vida política. Mas o que não pode acontecer é subverter prioridades. Primeiro está a democracia, primeiro está o ato solene que é de todos. Só depois vem a festa de um partido. Aqui foi ao contrário.
O resultado é claro: os mesão-frienses ficam com menos espaço, menos condições e menos abertura para participar num momento que devia ser o mais importante do dia. É quase como se estivessem a convidar as pessoas a não participarem.
Começamos mal!
Porque quando se coloca o interesse de um partido acima da dignidade democrática, o sinal que se dá é preocupante.
